Ricardo Salta

empreendedor hiperactivo

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Fevereiro 19, 2012
by Ricardo Salta
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A Habitação Não Devia Ser Um Direito Consagrado – A Questão É Outra!

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Imagino que com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, muitas pessoas em condições desfavoráveis, e muitas pessoas de bom coração, se tenham sentido aliviadas. Finalmente tínhamos chegado ao momento da história em que o mundo se unia para enaltecer o respeito pelos direitos universais, sem discriminações de qualquer tipo. Um feliz mundo novo, em que ninguém mais passaria fome, em que ninguém mais teria que dormir na rua. Foi mesmo, muitos o dirão certamente, inspiração essencial para a Constituição da República Portuguesa…

E sessenta e quatro anos depois, o que é que temos? Temos um mundo que eu acredito que tem mais que suficiente para todos, ao contrário do que muitos dizem, mas que vejo ferido de morte. Os médicos parece que estão presos no trânsito. É que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, para mim, sofre do mesmo que vemos tipicamente com as constituições dos países e com todas as demais publicações e declarações oficiais. Muito lirismo, muito verbo de encher, muita palha cuja aplicação prática é muito, muito diferente do prometido.

Não me vou alongar especulativamente sobre as intenções, afiliações e constrangimentos de quem redige as toneladas de papelada que impactam as nossas vidas quer queiramos quer não, mas gostava que quem me lê tenha isto presente: desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos ao Código de Processo Penal, passando pela Constituição da República Portuguesa e pelos regulamentos de acesso a concursos públicos, está tudo montado com uma complexidade deliberada, que sempre aproveita de forma extremamente desigual a quem tem mais poder, a quem está por dentro e a quem se pode fazer apoiar por especialistas.

Se eu acho uma injustiça haver sem-abrigo? Claro!
Se eu quero a minha alegre casinha? Claro!
Se eu acho que tenho o direito automático a ela? Não!
Se eu acho que alguém tem um direito automático à habitação? Não!

E qual é a minha lógica? A minha lógica é que existe um direito muito mais basilar — e profundamente legítimo — que o direito à habitação e que não está consagrado nem na Declaração Universal dos Direitos Humanos nem na Constituição da República Portuguesa. Trata-se do direito igual e inalienável ao nosso quinhão, atribuido de forma absolutamente igualitária, do valor económico dos recursos naturais.

A meu ver, a consagração do direito à habitação é um fracasso porque, entre outras razões é um processo que é tudo menos transparente. São dadas casas a quem não precisa e quem não precisa não as tem, e depois implica o trabalho de pessoas em todo o processo de construção das casas, o que leva (em teoria) a que apenas por existir, se tenha direito a ter outras pessoas a construir as nossas casinhas. Isso é uma forma moralista de fingir que se trata do assunto, gerando segregação, com o fenómeno dos bairros sociais e quanto mais não fosse, por colocar famílias desfavorecidas na posição de beneficiários de benesses sociais que acabam, infelizmente, por levar a que grande parte das pessoas olhe com maus olhos para os beneficiários do assistencialismo estatal.

Isto são tudo efeitos nefastos das ideias do planeamento social (em contraste com uma lógica mais libertária). Nós não precisamos de planeamento social, porque o planeamento social trata-nos como incapazes, como um rebanho. Nós precisamos de ser livres na medida em que a nossa liberdade não infrinja a liberdade dos outros, e precisamos que seja feita justiça à nossa condição de seres humanos que nasceram neste planeta, sem pedirem para nascer, e sem assinarem nenhuma coisa absurda como um tal de contrato social.

Todos nós nascemos em absoluta igualdade de direitos em relação às oportunidades naturais. Só que esse direito basilar não nos é respeitado, nem sequer consagrado, não aparece em declaração ou constituição nenhuma, porque não interessa aos aglomerados de poder. E à medida que fomos percebendo que temos o direito a lutar por direitos, foram-nos atirando com areia para os olhos, concedendo-nos este e aquele direito, e evitando assim que nos apercebessemos que o direito mais fundamental nos está a ser omitido.

Precisamos de nos deixar de questões secundárias, de exigir coisas artificiais antes de exigirmos e garantirmos acesso igualitário aos recursos naturais (ou, muito mais concretamente, e isto é importantíssimo, ao nosso quinhão do seu valor agregado — é a única forma de exterminarmos a corrupção da burocracia arbitrária!).

Temos que nos bater por um sistema que nos entregue, a cada um de nós, mensalmente, incondicionalmente, o nosso quinhão do valor da utilização–a renda–dos recursos naturais que são de todos, e não podemos deixar que permaneçam privatizáveis, dos quais a própria terra–as localizações!–é o mais importante. Quem dá bom uso à terra, em vez de querer especular e fazer dinheiro sem acrescentar valor, não lhe importa ser dono ou inquilino, desde que pague a quem de direito o valor justo! Pensem nisto com atenção.

A questão da terra (o direito de superfície vs. o direito de propriedade sobre a superfície) é importantíssima ao mesmo tempo que é completamente ignorada, ao ponto de ninguém falar nela… porque misturaram terra–e os recursos naturais em geral–com capital, misturaram edifícios com terra, misturaram propriedade comum com propriedade privada e puseram “todos contra todos”, trabalhadores contra patrões, patrões contra trabalhadores…

Com tanta areia atirada para os olhos da malta ganham principalmente os maiores donos da terra, os especuladores e os monopolistas tão ricos que não lhes importa o desperdício… nem eles nem ninguém devia–e temos que resolver isso para a civilização sobreviver–ser dono da terra.

Apenas devem ser titulares de direito de superfície aqueles que queiram a mesma para efeitos construtivos… e a melhor forma de fazer a triagem nem sequer é em comissões e gabinetes, é simplesmente deixando funcionar um mercado livre de títulos de terra, que preserve a propriedade pública da mesma, respeitando o direito natural e a condição da terra enquanto recurso natural… e deixando funcionar o mercado livre, só manterá em sua posse terrenos, quem estiver disposto a pagar o seu valor justo de renda.

E o valor justo ? Afere-se com imensa transparência, muito mais que actualmente se afere os valores para efeitos de IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) que implica avaliar edifícios…

A desgraça dos nossos tempos é que há quem queira por tudo fugir a socialismos, e quem queira por tudo destruir capitalismos. Nenhuns estão a focar-se na questão certa… O problema–ou, aliás, um dos problemas de topo, não sendo o único–é o monopolismo.

Vivemos um neofeudalismo encapotado, pagamos impostos para tudo e mais alguma coisa, e um subsegmento da população vive vidas folgadas sem fazer literalmente nada, beneficiando de rendas. Precisamos de corrigir isto, e de nos permitirmos vidas mais folgadas, mais naturais, para todos nós. Isto da escravatura e da servidão… já chega não?

Esperam-nos tempos de prosperidade nunca antes imaginada, basta resolvermos a questão da apropriação indevida do valor da terra, e dos demais recursos naturais, por rendeiros que se mascaram de capitalistas.

E não, não é preciso colectivizar propriedade privada. Só temos que colectivizar os monopólios naturais e gerí-los em benefício da sociedade, e temos que colectivizar o valor das rendas dos recursos naturais, distribuindo esse valor de forma igualitária por todos como Renda Básica de Cidadania.

E depois cada cidadão organizará a sua vida, livre e com acesso à abundância.

Até parece mentira. Mas é possível. Podemos ter tudo.

Referências:

logo movimento 2012

Fevereiro 7, 2012
by Ricardo Salta
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Estou Refocado. E O Movimento 2012 Está De Volta

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No final de 2011 “oficializei” o Movimento 2012 registando o movimento2012.com e o the2012movement.com (para o idioma inglês). Mas depois dei comigo distraído por alguns “terramotos” da minha vida.

A semana passada encontrei-me com o meu amigo e expert web developer André Padez por causa de uma ideia que tenho para uma aplicação web, e falámos excelentemente sobre ela.

Mas uma coisa eu não esperava, e que foi extremamente bem vinda:

Quando comecei a falar das minhas ideias sobre política e economia, e a certa altura do Movimento 2012, o André iluminou-se e disse-me que era exactamente o tipo de coisa que ele estava à espera de ouvir. E eu fiquei logo todo animado.

Ou seja, o entusiasmo do André fez a diferença entre a ideia do Movimento 2012 demorar um bocadinho mais a acelerar, ou já ter acelerado. O entusiasmo do André fez a diferença entre eu procrastinar, ou deixar de procrastinar.

E logo ali decidimos que eu iria lançar um anúncio de trabalho para um/a jornalista/redactor/a que nos possa ajudar a clarificar a proposta de valor do movimento e levá-lo ao próximo nível. E então eu preparei o anúncio, preparei uma lista de email, e publiquei tudo hoje.

E a resposta já está a ser espectacular, algumas horas após enviar o email e começar a espalhar o anúncio.

Por isso, sim, isto é para o “diário de bordo”, para que todos os interessados fiquem sabendo que estou “de volta aos carris” no que respeita a dar gás ao Movimento 2012.

Vamos exterminar a crise em 2012 :)

Janeiro 25, 2012
by Ricardo Salta
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Sopa Primordial – Eventos De Recrutamento E Selecção

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Ando a magicar um evento de recrutamento e seleccão em que toda a gente que tenha respondido a um determinado anúncio/anúncios (candidatos minimamente triados previamente) sejam desafiados a aparecer num sítio interessante, todos à mesma hora.

E deixar as pessoas interagirem entre elas e, claro, comigo. E ver o que acontece.

 

euro-money-notes

Janeiro 25, 2012
by Ricardo Salta
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O Que Farias Com 2.5 Milhões De Euros?

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Eu sei o que faria e sei o que farei. Vou criar a plataforma de triagem de investimentos Hyperacti Ventures e… salvar o mundo.

€ 2.500.000 parecem-me ser suficientes para arrancar com o projecto que eu ambiciono concretizar há muitos, muitos anos. E as limitações são cada vez menos, nomeadamente agora que surgiu a plataforma de investimentos Symbid.com (cujo limite máximo de financiamento é exactamente 2,5 milhões de euros).

Eu odeio fazer orçamentos, mas para experimentar o quanto é difícil esgotar 2.5 milhões de euros abri o excel e fiz umas entradas um bocado às três pancadas que dão para ter uma ideia:

2,5 milhões de euros pode parecer chocantemente abusivo para muitos, uma afronta, trinta por uma linha. Eu sou apologista de que não devem faltar recursos para as coisas que merecem acontecer. E a Hyperacti Ventures é uma dessas coisas. Não só vai ter acesso a 2,5 milhões de euros como os vai transformar em muitos biliões.

Para os curiosos, quanto às ventures concretas da Hyperacti, elas serão antes de mais as minhas ideias (algumas das quais irão entretanto sendo categorizadas neste blogue), e muito rapidamente será posto em prática um sistema de avaliação de ideias que permita que toda a gente possa contribuir boas ideias para este projecto.

Mas tudo a seu tempo.

E quanto aos 2,5 milhões: há infinitas perspectivas, como por exemplo esta. Se me for feito concluir que só preciso de por exemplo 250.000 euros para a primeira fase, e que numa segunda ronda de investimento se vai buscar os milhões, por mim tudo bem.

Onde andas, CFO?

megalomanic

Janeiro 24, 2012
by Ricardo Salta
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Chamem-me Megalómano

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Muitas vezes falo de ideias grandes. Na verdade, aborreço-me demasiado com falar de ideias pequenas, a menos que tenham uma aplicação específica, relevante, parcial e mensurável a uma ideia grande em que eu esteja interessado.

Este sou eu, pegar ou largar. Não esperem que eu esteja interessado em ocupar o meu tempo com pequenas coisas. Não tenho de princípio nada contra isso – tudo tem a sua importância. Mas eu não gosto de fazer aquilo que eu não gosto de fazer. Será que isto soa estranho? Se soa estranho e acreditas que as pessoas devem fazer aquilo de que não gostam, então deixa-me dizer-te: eu não sou absolutista e se tu és, então provavelmente nós não temos nenhuma interacção a fazer porque eu fico absolutamente incomodado com pessoas absolutistas.

Concordo contigo se me disseres que não podemos fazer só o que gostamos. Mas cá está: eu raramente faço o que eu gosto! Então, se não fazer aquilo de que gostamos é o caminho para o sucesso, eu já ter tido sucesso há muito tempo.

Não, não é essa a questão. A questão é sobre o mérito ou o demérito, no que respeita a apostar em ideias megalómanas.

Eu tenho uma grande visão para o futuro que é composta por várias subvisões que se complementam umas às outras.

E mesmo que isso me exija passar por algo que eu de certeza não gosto, como ser rejeitado, na maioria das vezes, porque as pessoas não me leva a sério o suficiente e mesmo que o façam, o meu défice de atenção leva-me a perder-me, a verdade é que eu só me interesso por ser levado a sério pelos poucos que conseguem estar disponíveis para me compreenderem e me ajudarem verdadeiramente, ou seja, pessoas que estejam disponíveis para trabalhar com o meu lado menos fácil, se é que me faço entender.

Por isso, sim, chamem-me megalómano. Porque eu não estou a pensar mudar tão cedo.

feudalismo

Janeiro 12, 2012
by Ricardo Salta
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O Maior Entrave À Prosperidade: Os Senhorios Da Terra

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Acabei de fazer um par de comentários no Facebook do blogue Os Dias do Fim, que vou transpor para aqui. E o feedback que entretanto for tendo deste thread, irei transpondo também para aqui sob forma de comentários a este post.

A argumentação que tenho estado a expor apresenta, de uma certa forma, a filosofia economico-política que passei a subscrever de há cerca de um ano para cá, o geolibertarianismo/georgismo, e da qual vou começar a falar com cada vez mais intensidade.

Então, tudo começou com este primeiro comentário que aqui reproduzo em formato de citação, sobre o qual me foi pedido de seguida que desenvolvesse. O que vem a seguir a esta citação de mim mesmo é, portanto, a resposta ao pedido de mais detalhes.

Sincera e francamente, fala-se muito dos detentores de capital mas nunca se fala com a devida especificidade dos senhorios de terras que se mascararam de capitalistas. Aí sim está o mais indefensável dos cancros!

Antes de mais é crucial distinguir o que é ser senhorio de capital e o que é ser senhorio de recursos naturais.

Ser senhorio de capital é legítimo. Deriva da legitimidade da propriedade privada. Propriedade privada, à luz do direito natural, é tudo aquilo que é fruto de trabalho humano. Pela simples razão que as pessoas não têm direito de propriedade umas sobre as outras, logo só voluntariamente é que um indivíduo deve abdicar, em troca daquilo que muito bem lhe aprouver negociar. Isto aplica-se à estatueta de madeira, à cadeira, ao carrinho de rolamentos, ao triciclo, ao telescópio, à autocaravana, à tenda ou à vivenda. Tentar criar excepções a esta lógica é uma perversão do direito natural que desde logo favorece a corrupção e desumanização que derivam do planeamento social.

Já o ser senhorio de terras, é perfeitamente questionável e merece de facto toda a nossa atenção pois na verdade o que está na base da desigualdade cada vez mais extrema, e das consecutivas crises cíclicas, é a privatização da terra, um recurso tão natural como o oxigénio, e que tal como este último, já cá estava antes do ser humano, e quanto mais não fosse por isso, temos todos um DIREITO IGUAL ao planeta em que nascemos e às suas oportunidades naturais.

Henry George, que os grandes interesses trataram de silenciar mas que a internet está a trazer de volta, escreveu em 1879 a obra-prima “Progresso e Pobreza” onde explica como descobriu que por muito que as sociedades observem progresso, a pobreza nunca desaparece.

E tem tudo a ver com a capacidade que foi conferida a privilegiados, que remonta aos tempos do feudalismo, de extrair rendas de terrenos que pertencem a todos.

É que acima de tudo, a oferta de terra é inelástica. Ao contrário de praticamente tudo o resto que se comercializa, a terra (divisões de localizações, para ser mais claro) não se destrói nem se constrói. E tirando benefício ilegítimo desta verdade inquestionável, e visto que neste contexto não há mercado livre (uma realização muito importante) os rendeiros inflaccionam os preços que exigem para vender ou arrendar as “suas” propriedades (que são “suas” simplesmente porque o Estado valida um determinado regime de propriedade) o que obriga todos aqueles que não tenham domínio sobre terras, a submeter-se àqueles que têm. Porque simplesmente não há para onde ir sem pagar renda a algum “dono”.

Entretanto no passado tentou resolver-se isto por via da colectivização de tudo, mas isso correu muito mal porque desde logo violou o direito natural, ao negar o direito à propriedade privada. O que é produzido por iniciativa humana é propriedade privada. E outra coisa que é propriedade privada, uma noção cuja realização provavelmente será das coisas com mais potencial para salvar a humanidade, é o direito ao nosso “quinhão” do VALOR das oportunidades naturais.

Como é isto do quinhão? Bem, vou explicar com o exemplo da terra, mas note-se que se aplica exactamente da mesma maneira à água, ao minério, desde o ouro ao petróleo… basicamente as comunidades têm que exigir a renda dos recursos que pertencem de igual forma a todos, e redistribui-la. Isto implica modificar o regime de propriedade do solo para que os territórios passem a ser propriedade legal das comunidades que compõem esses territórios. Como uma cooperativa, de certo modo, mas menos burocrático e mais transparente. E com absoluto respeito ao direito de prioridade privada, o que implica reconciliar o solo com aquilo que é criado à sua superfície. Ou seja, os títulos de prioridade privada sobre terrenos são convertidos em títulos de arrendamento perpétuo e transmissivel. Perpétuo garante que não há expropriações arbitrárias. Transmissível garante que a titularidade da utilização dos terrenos pode ser comercializada num mercado livre. E o facto de ser um arrendamento faz com que os titulares tenham que pagar, à comunidade/localidade, com toda a transparência, o valor justo, sem manipulações, que cada terreno tenha a dado momento. Uma renda mensal, tal como qualquer outra renda.

E ao cobrar esta renda, deixa de se precisar de ordenhar quem realmente produz e dinamiza a economia. IRS, IRC, IVA… todos esses impostos e a maioria dos demais podem simplesmente ser abolidos. E como que por magia desaparece a evasão fiscal, porque não é possível fugir com terrenos para paraísos fiscais. E desaparece a especulação imobiliária, porque especular com imobiliário passa a dar prejuízo. Por isso os preços das casas baixam, os preços dos bens e serviços (muito influenciados pelas rendas) baixam, e até os salários aumentam. É ou não é simpático?

Esta reforma radical não pretende resolver todos os problemas do mundo. Mas os seus proponentes dos quais faço parte têm plena noção que sem resolver isto, tudo o resto são pensos rápidos. E de que de facto não se pode negar a validade desta forma alternativa de lidar com a economia, só porque “não resolve tudo” (de facto um dos “argumentos” mais recorrentes.)

Muito mais há a dizer sobre isto e links para partilhar, mas para já espero que vos tenha feito sentido esta perspectiva pouco comum das coisas. A mim começou a fazer de há um ano para cá. Por favor, façam todas as perguntas que vos ocorrerem, responderei com o melhor dos empenhos. Obrigado pela vossa curiosidade.

my own place

Janeiro 11, 2012
by Ricardo Salta
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Sobre Ter O Meu Próprio Espaço

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Ao começar a escrever isto, ocorre-me que “ter o meu próprio espaço” se pode aplicar a ter a minha própria casa assim como se pode aplicar à ideia de ter o meu próprio espaço na vida. Porque, para ser sincero, eu não sinto ter nem um nem outro. Ainda. Não estou a ganhar dinheiro, estou de volta à casa da minha mãe depois de ter estado já em tantos sítios, nenhum realmente sustentado pelo meu próprio rendimento, que já tive, mas nunca estável o suficiente para assegurar a minha independência.

Sim, em tempos tive a motivação de fazer coisas que na altura me entusiasmaram porque eram novidade e que acabaram por me proporcionar um dinheiro decente. Se eu tivesse mantido essa motivação, por esta altura estaria bem melhor. Mas esse não seria eu, de certeza.

Quanto a espaço… Bem, eu sonho (bem acordado) com ter um espaço gigante onde eu viva e em que, ao mesmo tempo, uma data de projectos fantásticos estejam a acontecer ao mesmo tempo. Isto vai-se tornar realidade mais cedo que tarde, já agora.

Quando eu era pequeno, a minha mãe e o meu padrasto decidiram fazer um “extreme makeover” ao meu quarto e, antes que eu me pudesse aperceber, dei comigo num quarto com mobília totalmente à medida e que basicamente não se podia mexer nem um centímetro. Paradoxalmente, sempre tive tendência a gostar de mexer nas coisas, e se tivesse tido o oportunidade, certamente que teria mudado o quarto várias vezes, todos os anos, mas o facto é que nunca pude.

Esta história do meu quarto “sólido”, não sei mesmo quanto é que me pode ter ou não moldado, mas o facto é que sempre me ressenti em silêncio pelo modo como faltou no meu crescimento a possibilidade de mudar a mobília de sitio. Claro, certamente que eu fui privilegiado e sortudo por ter mobília. Olhando mais atentamente, no entanto, não sei como é que isso me pode ter ajudado. Sempre desejei mudar as coisas de sítio, num “nomadismo dentro do meu próprio mundo”… e nunca pude.

Cada vez é maior a crise dos sem-abrigo. E eu dei comigo a preocupar-me sinceramente com isso, nomeadamente porque descobri as origens do fenómeno e, mais importante, a raiz de tal injustiça, e como resolvê-la de vez, criando um futuro brilhante. Como disse Thomas Paine,

O homem não criou a terra. É o valor dos melhoramentos, e não a terra em si, que é propriedade individual. Todo o proprietário deve à comunidade uma renda sobre a terra que possui.

Esta reforma não é apenas possível como essencial. É necessária uma nova atitude em termos daquilo a que nos atrevemos a almejar enquanto comunidades. Tal como disse o meu amigo Edward Miller, recentemente,

Centralização e economias planificadas são um passo atrás, não um passo à frente. Há assuntos informacionais complexos inerentes que são insolucionáveis por sistemas centralizados. Apenas sistemas descentralizados podem atingir resiliência, promover liberdade e escalar indefinidamente.

Se querem saber, aquilo que me motiva… trazer à realidade uma sociedade sã e próspera. Sintam-se à-vontade para aprender mais sobre a filosofia do Geolibertarianismo. Vou partilhar muito mais sobre isto, em breve, por isso mantenham-se a par.

E como é óbvio, eu tenho mesmo que avançar com as minhas ideias geradoras de dinheiro, porque preciso de me sustentar a mim próprio, tenho que parar de ser um fardo para os meus pais e, se nada mais que isso, ter dinheiro será o acelerador mais potente para as minhas visões de salvação do planeta. Mais sobre fazer dinheiro nos próximos posts… e também, de certeza, sobre ter o meu próprio espaço.

sleeping gorilla

Janeiro 10, 2012
by Ricardo Salta
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Adormeço Vezes Demais Ao Volante

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Ser eu tem algumas especificidades. Uma das que nasceu comigo é que quero sempre continuar, desde que goste do que esteja a fazer, mesmo que isso consista simplesmente em estar acordado. A outra prende-se com o facto de eu não ter travões.

Vezes sem conta falhei compromissos e marcações de todo o tipo simplesmente porque no dia anterior me tinha deitado ao nascer do sol. Às vezes, como a noite passada, não importa porque não tinha nenhum prazo específico ultra-crucial, e de facto foi uma directa construtiva porque estive a escrever posts aqui para o blog que considero algo prioritários. Outras vezes, no entanto, pode ser bem desestabilizador porque perturbo a vida de outras pessoas, desperdiço, por completo, oportunidades interessantes e frequentemente faço mossa na confiança que as pessoas ainda possam ter em mim.

Esta performance falível não tem piada e nem parece sequer beneficiar a minha vida. No máximo, o facto de eu ser um caso tão extremo põe-me na posição de querer muito resolver isto de alguma maneira. E também penso nos milhões de pessoas brilhantes por todo o mundo que devem sofrer exactamente as mesmas dificuldades e que certamente anseiam por um modo sustentável de ultrapassar esta barreira massiva ao sucesso social e pessoal de alguém.

Janeiro 10, 2012
by Ricardo Salta
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Desapontar Os Outros. Às Vezes É Mesmo Frustrante

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Há desapontar e desapontar. Não temos responsabilidade sobre as expectativas que os outros colocam em nós que tenham sido criadas por eles mesmos. Para ir seja onde for na vida, temos que desapontar muitas ilusões dos outros, e a vida é assim mesmo.

Mas para mim há esta coisa sobre desapontar os outros que dói mesmo. É quando eu conheço pessoas fantásticas, crio um laço e crio expectativas sobre alguma coisa, acredito no que estou a dizer, e depois vai tudo por água abaixo. As pessoas são subitamente confrontadas com o paradoxo de que a pessoa tão simpática que acabaram de conhecer de repente desapareceu do mapa, deixando atrás de si um rasto de desconforto e inconveniência que poderia ter sido facilmente evitado e de que eu estou quase sempre consciente, mas que não consigo evitar.

Não há absolutamente qualquer necessidade de especificar de que é que eu estou a falar em particular, nomeadamente porque isso já aconteceu tantas vezes, na verdade eu ainda consigo desapontar a minha família uma vez e outra vez e depois de todos estes anos ainda confiam em mim, o que é admirável. Em assuntos pessoais tal como em assuntos profissionais, eu apenas avanço com aquilo em que acredito. O problema é que frequentemente me entusiasmo de mais com oportunidades que mesmo que tivessem muito valor e potencial, eu não tenho a estrutura para os concretizar, e então acabo por salientar o seu valor negativo, o que é terrível.

Sei que, hoje em dia, é facto, que tudo isto se deve ao meu cérebro, de estranhas  conecções, que me deixa acreditar, repetidamente, que tudo é possível neste mesmo instante. Mas há um certo sentimento de culpa mesmo que eu saiba porque é que isto acontece, porque eu sei que ainda tenho em mim o que é preciso para encontrar uma solução definitiva. Para além da culpa, há também uma tristeza porque eu queria mesmo ver qualquer oportunidade que apareça, e isto é ainda mais uma razão para encontrar a solução.

O fenómeno está sempre a repetir-se, e já me enganei vezes demais a acreditar que conseguia cuidar sozinho do assunto, acontece porque me falha, no raciocínio, a capacidade de execução (isto é verdade). Então, para terminar o assunto, eu tenho que me concentrar com força em encontrar, pelo menos, um assistente executivo, para colmatar a minha disfunção executiva. E então vai ficar tudo bem.

 

procrastination

Janeiro 10, 2012
by Ricardo Salta
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Procrastinação. Estou A Escrever Sobre Ela

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Está em t-shirts que dizem “Vou parar de procrastinar. Amanhã.”, e está na minha cabeça o tempo todo. Porque com tanta coisa que eu quero fazer, acabo sempre por procrastinar alguma coisa com qualquer outra coisa. Mas, aparentemente, a chave é procrastinar coisas extremamente importantes com coisas que ainda sejam importantes, por isso aqui estou eu a escrever sobre procrastinação, algo que, no meu caso, é importante.

Quer dizer, a chave é não perder de vista continuamente fazer coisas importantes, e eu estava a ler sobre a eleição norte-americana de 2012, e percebi que tal leitura não acrescenta nada ao que eu preciso de me despachar a fazer. Então vim aqui para escrever sobre procrastinação e de seguida continuar a escrever mais alguns posts. E também encontrei este link que fala sobre Boa e Má Procrastinação, que poderás achar interessante.